Quais os riscos da obesidade infantil?

Quais os riscos da obesidade infantil?

A obesidade infantil é uma doença crônica e progressiva, caracterizada pelo excesso de gordura corporal em crianças até 12 anos. 

O diagnóstico é realizado por meio do IMC (índice de massa muscular) ou quando a criança está, no mínimo, 15% acima do peso de referência para a sua idade.

Assim como outras doenças na infância, a obesidade infantil exige tratamento adequado, de modo a evitar complicações e desenvolvimento de outras patologias, como diabetes e hipertensão. 

Por isso, desenvolvemos o post de hoje para que você conheça os riscos da obesidade infantil, como tratá-la, e qual profissional procurar. Acompanhe!

Obesidade infantil: o mal que assola a infância

Obesidade infantil o mal que assola a infância.

A cada ano, o número de crianças obesas aumenta, levando a saúde pública a reconhecer a obesidade infantil como uma epidemia, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Afinal, a obesidade está diretamente relacionada a outras doenças crônicas, como diabetes, hipertensão, doenças do coração e malformações do esqueleto da criança. 

Do mesmo modo, a obesidade pode interferir no desenvolvimento e vida social da criança.

A obesidade infantil no Brasil

No Brasil, de acordo com os critérios adotados pela OMS para classificar a obesidade em crianças, 9,4% das meninas e 12,4% dos meninos são considerados obesos. Um levantamento realizado pelo órgão mostrou que a obesidade infantil tem crescido principalmente em países de baixa e média renda.

A pandemia de Covid-19 também foi responsável por agravar esses índices, visto que teve importante impacto na alimentação de crianças e adolescentes, com o aumento do sedentarismo. Essa interrupção na rotina das crianças gerou impacto negativo na saúde física e mental, prejudicando o bem-estar na infância.

Quais as causas da obesidade infantil?

É importante entender que a obesidade pode apresentar diferentes causas, e nem sempre está relacionada ao consumo excessivo de comida. Existem variados fatores para o desenvolvimento da obesidade infantil. 

Desse modo, para diagnosticar e tratar de forma correta o problema, é importante conhecer a rotina familiar da criança. A seguir, conheça melhor as principais causas da obesidade infantil.

Alimentação

Os comportamentos alimentares sofreram uma drástica mudança nos últimos anos. O contato com alimentos industrializados aumentou entre as crianças, afastando-as de uma alimentação saudável e mais natural, seja por motivos financeiros, familiares, ou outros.

O exagerado consumo de gorduras e açúcares causa mudanças na produção de hormônios ligados ao prazer, como, por exemplo, a dopamina. Dessa maneira, o processo de compulsão alimentar se inicia, levando à obesidade infantil.

Sedentarismo

Junto às mudanças alimentares, podemos observar mudanças em relação às atividades físicas. Com o aumento da violência e também avanço da tecnologia, as brincadeiras migraram de quadras, campos e ruas para dentro de casa. 

Atualmente, grande parte das crianças passa mais tempo vendo televisão e jogando em computadores e celulares, sem realizar atividades físicas. Isso aumenta o sedentarismo e diminui o gasto calórico.

Ansiedade e depressão

Problemas envolvendo a saúde mental, como ansiedade e depressão, podem alterar o comportamento da criança. Dessa forma, compulsões alimentares podem ser desenvolvidas, além da diminuição da vontade de praticar atividades, levando a obesidade infantil.

Fatores genéticos e hormonais

Além das causas acima, fatores genéticos e hormonais podem estar relacionados ao desenvolvimento da obesidade infantil. Quando a criança tem pais obesos, as chances de ser obesa podem ser de até 80%.

Riscos da obesidade infantil

Na obesidade infantil, a longa exposição ao excesso de gordura sem tratamento adequado, pode levar ao desenvolvimento de inúmeras comorbidades e doenças, como diabetes, doenças cardíacas, hipertensão e alterações do colesterol, prejudicando a qualidade da saúde e reduzindo a expectativa.

Afinal, crianças obesas apresentam risco aumentado para se tornarem adultos obesos. 

Além disso, a doença pode impactar de forma negativa o processo de desenvolvimento infantil. Ou seja, a criança terá prejuízos ósseos, musculares e articulares, além da dificuldade para desenvolver atividades e tarefas diárias, como brincadeiras. A obesidade infantil está relacionada a mais de 26 doenças crônicas que eram anteriormente classificadas como patologias exclusivas em adultos. A criança com obesidade infantil pode ainda apresentar risco aumentado para:

  • doenças respiratórias (como asma);
  • doenças ortopédicas (como problemas em joelho e coluna);
  • disfunções no fígado como esteatose (acúmulo de gordura);
  • problemas metabólicos, 
  • dores nas articulações;
  • colesterol alto;
  • assaduras;
  • dermatite;
  • enxaqueca;
  • acne;
  • hiperandrogenismo (excesso de hormônio masculino);
  • antecipação da puberdade;
  • alterações menstruais;
  • doença coronariana na vida adulta;
  • colelitíase (pedra na vesícula);
  • apneia obstrutiva do sono;
  • síndrome de hipoventilação da obesidade;
  • fraturas ósseas.
  • infecções fúngicas;
  • furúnculos;
  • acantose nigricans (manchas aveludadas e escuras em dobras);
  • estrias;
  • baixa autoestima;
  • ansiedade; 
  • isolamento social;
  • solidão;
  • disfunções alimentares;
  • bullying;
  • depressão.

Algumas doenças comuns em adultos, como é o caso da diabetes e esteatose hepática, são vistas com frequência na população infantil. Por esse motivo, a obesidade infantil durante a adolescência também apresenta grande risco de morte prematura na idade adulta, mesmo que consiga emagrecer.

O câncer de mama, por exemplo, é visto com mais frequência em mulheres que estiveram acima do peso quando crianças. Entre os homens, o risco de doença cardíaca isquêmica é maior entre aqueles que foram obesos na infância.

Crianças obesas serão adultos obesos?

Obesidade infantil: crianças obesas serão adultos obesos?

As chances da criança com obesidade infantil se tornar um adulto obeso são altas, visto que a tendência ao excesso de peso pode estar relacionada a genética além dos hábitos alimentares e sedentarismo. Estudos na área afirmam que:

  • crianças com obesidade infantil no jardim de infância apresentam 4 vezes mais risco de chegar à 8ª série obesas;
  • 50% das crianças obesas com percentil do IMC acima de 95 durante o jardim de infância chegam à 8ª série obesas;
  • 70% das crianças obesas com percentil do IMC acima de 99 durante o jardim de infância chegam à 8ª série obesas;
  • 50% das crianças obesas com 6 anos que tem o pai obeso se tornam adultos obesos;
  • 80% das crianças obesas entre 10 e 14 anos com pai obeso se tornam adultos obesos;
  • 2/3 dos adolescentes com obesidade tornam-se adultos obesos.

Como é tratada a obesidade infantil?

A obesidade infantil tem um simples objetivo de tratamento, diminuir o IMC da criança. No entanto, garantir que esse objetivo seja cumprido é um pouco mais complexo. Para crianças obesas, não é estritamente obrigatório perder peso. Afinal, muitas vezes manter o peso estável enquanto cresce pode ser a solução, normalizando o IMC.

Contudo, para crianças com obesidade infantil grave (com percentual de IMC acima de 90), ou que tenham comorbidades envolvendo as doenças citadas anteriormente, é importante a perda de peso.

Para isso, realizar mudanças nos hábitos de vida da criança é fundamental. Uma dieta equilibrada e a prática de atividades físicas regulares são muito importantes. Isso pode ser realizado sem grandes desafios com o auxílio de uma equipe multiprofissional, que envolva nutricionista, psicóloga e outros profissionais.

Afinal, uma dieta restritiva não deve ser encorajada, visto que a criança está em processo de desenvolvimento. O importante é que a alimentação seja saudável, trocando possíveis alimentos prejudiciais por aqueles ricos em nutrientes, vitaminas e fibras. Além de comer bem e se exercitar, a criança também deve ter uma rotina de sono regrada, pois o sono tem importante papel no controle de peso. 

Todos esses passos devem ser seguidos, mudando os hábitos da criança para melhores. No entanto, antes de qualquer decisão, é importante que um profissional especializado faça o diagnóstico adequado, conhecendo a rotina da criança e de seus familiares, desenvolvendo assim o tratamento individualizado para a obesidade infantil. Conheça qual profissional deve ser procurado para tratar a doença. 

Qual médico procurar para tratar a obesidade infantil?

O endocrinologista infantil é o profissional responsável por realizar o diagnóstico e tratamento de distúrbios endocrinológicos na infância e adolescência, tratando do crescimento, tireoide, diabetes, obesidade infantil, distúrbios de diferenciação sexual e alterações no metabolismo.

Disfunções como as hormonais podem ser identificadas desde o período neonatal, e seu diagnóstico e tratamento são realizados pelo endocrinologista infantil, que deve ter interação constante com pediatras.

É no período neonatal que surgem anormalidades como hiperplasia adrenal congênita e hipotireoidismo congênito. Já em idade infantil, quadros como diabetes, puberdade precoce e crescimento deficiente são mais comuns, e na adolescência, a falta de desenvolvimento puberal e genital, obesidade e disfunções tireoidianas autoimunes são as queixas mais frequentes.

Diante da dúvida sobre o crescimento da criança de acordo com sua idade, o endocrinologista infantil realizará avaliações que incluem cuidar da história clínica abrangendo o histórico da gravidez, parto, altura e peso da criança ao nascer, conhecimento sobre a alimentação da criança e outros hábitos de vida, como a prática de atividades físicas, altura dos familiares, avaliação do ambiente social em que a criança vive, e mais, ajudando a evitar problemas como a obesidade infantil.

Além de atuar no diagnóstico e tratamento de distúrbios do crescimento, o endocrinologista infantil é responsável por descobrir e tratar outras disfunções hormonais se podem se instalar desde o período neonatal até o final da adolescência, motivo que requer interação de conhecimentos pediátricos e de endocrinologia.

Essas alterações determinam a repercussão sobre não só o crescimento, mas também o desenvolvimento e metabolismo do organismo em fase de maturação, e devem ser considerados os aspectos peculiares de cada uma das fases do desenvolvimento. 

Período Neonatal

Durante o período neonatal, são frequentemente acompanhadas anormalidades como diferenciação genital, hipoglicemias, hiperplasia adrenal congênita e hipotireoidismo congênito.

Em crianças menores, os quadros predominantes são, além do crescimento deficiente, hipotireoidismos adquiridos, diabetes tipo 1, e sinais puberais de apresentação precoce. Já durante a adolescência, as queixas mais frequentes são aquelas relacionadas à falta de desenvolvimento puberal e genital, diabetes tipo 1 e 2, obesidade infantil, disfunções tireoidianas autoimunes, e outras.

Puberdade precoce

O início da puberdade deve ocorrer classicamente entre 8 e 13 anos em meninas, e dos 9 aos 14 anos em meninos. As puberdades consideradas precoce, são aquelas que se iniciam antes dos 6 anos em meninas, e dos 7 anos em meninos, tal questão requer investigação e tratamento. 

Na idade compreendida entre 6 e 8 anos em meninas, e 7 e 9 em meninos, considera-se um período limítrofe, e a avaliação clínica do ritmo de desenvolvimento puberal definirá a necessidade de investigação laboratorial e eventual tratamento.

Em casos em que a precocidade ou atraso puberal se devem a aceleração ou retardo constitucional do crescimento e puberdade, não há prejuízo na previsão da estatura final da criança, e a repercussão psicossocial dessa variação costuma ser de intensidade pequena.

Em situações como esta, não há a necessidade de tratamento. No entanto, quando a puberdade for realmente precoce ou tardia, a investigação da causa bem como do mecanismo pelo qual o evento puberal foi ativado, são fundamentais para a correta escolha de tratamento.

Teste do pezinho

O teste do pezinho, ou triagem neonatal, deve ser realizado no momento em que o bebê recebe alta do berçário, entre 48 a 72 horas de vida. Ele garantirá a detecção e tratamento do hipotireoidismo congênito entre 10 a 15 dias de vida, idade estabelecida como precoce o suficiente para prevenir alterações no cérebro.

Contudo, resultados negativos não excluem a totalidade dos casos e, crianças com sintomas sugestivos devem ser submetidas a avaliações laboratoriais para a confirmação diagnóstica, independente do resultado do primeiro teste. Esta falha na detecção é rara, tornando o teste do pezinho altamente efetivo para a detecção do hipotireoidismo congênito, e de grande importância para a prevenção da doença mental.

Diabetes

Ainda que não seja uma regra sem exceções, a grande maioria das crianças e adolescentes obesos também terão obesidade durante a vida adulta. Além de carregar os determinantes genéticos, estes indivíduos tendem a manter os mesmos erros nutricionais e sócio-culturais que desencadeiam e agravam mecanismos geradores do ganho excessivo de peso. 

Por esse motivo, ainda que o tratamento medicamentoso não seja necessário durante a fase adulta, algumas medidas educacionais são essenciais para prevenir a evolução do quadro de obesidade.

Para pacientes com história familiar de obesidade, hipertensão arterial, diabetes e dislipidemias, é preciso prestar atenção especial, isso porque, a obesidade na infância pode ser a primeira manifestação clínica de resistência à insulina, envolvida na gênese da Síndrome metabólica que se manifesta no adulto.

Atualmente, observa-se como fenômeno mundial da vida moderna, o aumento de casos de diabetes tipo 2 em crianças e adolescentes. Como vimos, o fato é associado ao aumento de peso e sedentarismo devido à facilidade dos eletrônicos para atividades de lazer, como jogos computadorizados, além do aumento da oferta de alimentos industrializados e ultraprocessados. Controlar o desenvolvimento da obesidade é uma importante forma de prevenção. 

Clínica de endocrinologia Croce

A Croce, localizada na zona oeste de São Paulo, está há mais de quatro décadas atuando com excelência na descoberta de diagnósticos e em tratamentos multidisciplinares em especialidades como: endocrinologia, alergia e imunologia, sistema imunológico, reumatologia e otorrinolaringologia.

No segmento endocrinológico, contamos em nossa equipe com a Prof. Dra. Marise Lazaretti Castro, Chefe do Grupo de Doenças Osteometabólicas da UNIFESP e diretora da Clínica Croce, e com a Dra. Vanessa Radonsky, pediatra e endocrinologista pediatra pelo Instituto da Criança da USP, é especialista da Croce.

Além de uma equipe altamente competente, formada por especialistas da USP e da UNIFESP, que propõem um atendimento humanizado e personalizado para cada cliente, a Clínica Croce conta com equipamentos e tratamentos inovadores.

A infusão de medicamentos é um exemplo de tratamento avançado para pacientes com doenças crônicas ou, ainda, para casos mais complexos e graves. As infusões medicinais surgem como uma forma mais eficaz de administrar a medicação e de obter melhores resultados para diferentes patologias.

Outro ponto de destaque é que, além de todo o diferencial oferecido pela clínica, a Croce é parceira da maioria dos planos de saúde disponíveis no mercado, incluindo Porto Seguro, SulAmérica, Bradesco, Amil, Unimed, Petrobras, Allianz, Careplus, Saúde Caixa, Mapfre Saúde e muitos outros.

Desse modo, se você está em busca das melhores soluções e do melhor atendimento para problemas endocrinológicos, como a obesidade infantil, não deixe de fazer uma visita à Clínica Croce.

Está procurando um profissional para diagnosticar e tratar a obesidade infantil? Então, agende sua consulta com a Clínica Croce. Por meio do atendimento via telemedicina é possível ser atendido de qualquer lugar do Brasil, sem a necessidade de estar em São Paulo, cidade sede da clínica.